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HORA CERTA - HORA DE BRASÍLIA

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Catering em ferrovias: a parceria de trabalho entre dois fornecedores de catering, no atendimento de um mercado ferroviário que não está em crise na Espanha...



 

Primeiramente agradeço pelos mais de 20 mil acessos de nosso blog: Nosso, porque são de vocês! Este blog, sem fins lucrativos, mostra curiosidades sobre o mundo da gastronomia. Um mundo que ninguém imaginou que existisse, saindo de uma gastronomia convencional, de novas culturas que desconhecemos, querendo este incrementar e adicionar novos conhecimentos a todos; Espero que até o fim deste ano de 2012, o blog possa dobrar esse número de acessos e este depende exclusivamente de todos vocês! Ao pedir sugestões, algumas novas informações, muitas pessoas conversam comigo, gostam do projeto e me afirmam que não há um blog parecido com esse, confiável e, que as informações são muito escassas, na presença da gastronomia nos meios de transporte, principalmente no do aéreo. Mesmo assim, peço quem quiser compartilhar informações que estão por aí, esquecidas, memórias etc., que nos escrevam através do e-mail gostonasalturas@hotmail.com contando experiências ou curiosidades... Enviando-nos fotos, porém sempre com nome e e-mail para divulgação. E não me esqueci da matéria especial sobre a história da Varig para os saudosistas desta querida empresa aérea. E, em minha página no "Facebook" que é http://www.facebook.com/luisbnunez, pode-se consultar algumas dicas de gastronomia sustentável, curiosidades do mundo da culinária, vídeos especiais de aviação do "youtube" e conhecer novos amigos...

Comissário de bordo ferroviário. Foto de Kari Kohvakka.

Muitos leitores de nossa última reportagem pediram para que eu postasse algo sobre o catering ferroviário e o catering escolar, como alternativas e/ou completar o catering aéreo. Não existem, infelizmente, referências ou reportagens sobre o assunto. Mas irei à busca de tais matérias ou tentar estudar para reproduzir um novo artigo. A seguir, postarei um novo artigo baseando-se em uma reportagem da revista do setor de catering chamada “PAX International” de fevereiro de 2010, de Rick Lundstrom, adaptado por mim para os dias atuais, através das pesquisas realizadas nas empresas RENFE, referência mundial em ferrovias (a Renfe Operadora é uma das entidades públicas empresariais que explora a rede ferroviária espanhola. Como o seu nome indica é herdeira do legado da RENFE (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), empresa criada em 1941, da qual se desprendeu a Renfe Operadora, no dia 1º de Janeiro de 2005, passando a RENFE a chamar-se ADIF (Administrador de Infraestructuras Ferroviarias). A criação da Renfe Operadora deveu-se à Lei do Setor Ferroviário (LSF), que exigia a separação da exploração dos serviços de transporte e da administração de infraestruturas, pelo que se teve que se formar duas empresas, sendo a ADIF e a RENFE Operadora) e dos caterings Rail Gourmet (da Gate Group) e do grupo italiano Cremonini que realiza catering ferroviário na Europa.  

Oferta do serviço de bordo ferroviário. Foto do site: con mucha gula.

No ano de 1998, quando a associação internacional de catering aéreo, conhecido atualmente como ITCA, realizou sua conferência na cidade espanhola de Sevilha, com a presença de muitos dirigentes que resolveram testar na época, os serviços que eram oferecidos a bordo de um trem de alta velocidade, o AVE, ao invés da costumeira viagem de avião saindo da capital Madrid, que os levaram em uma viagem eficiente, sem passar pelos pormenores que o aeroporto oferece aos seus clientes, rápido como um pássaro, uma ave.  

AVE RENFE: O trem-bala espanhol. A Espanha é tida atualmente como um país em crise, com suas ferrovias extremamente modernas e em pleno crescimento e conservação. O Brasil, ao contrário, é um país em "desenvolvimento" e suas linhas no auge da decadência... Trens desses em nosso país, nem sonhando! Só indo para a Europa para experimentar... Foto: RENFE.

O AVE, abreviatura de “Alta Velocidad España”, é um meio de transporte que oferece comodidade, segurança, rapidez y translada ao seu cliente ao coração das principais cidades espanholas.

Outra versão do AVE espanhol. Foto: RENFE.
Oficinas de manutenção dos trens da RENFE.

A alta velocidade na Espanha supõe uma nova forma de viajar e conhecer o país, tanto para os viajantes domésticos como para os estrangeiros. As cidades em que opera o AVE permite a esse turista conhecer a Espanha através da sua variedade cultural, gastronômica e seu popular folclore, em uma única viagem, ofertando as expectativas e satisfação da viagem.

A RENFE realiza todo o ano, vários trens temáticos, como o do cartaz acima, anunciando o Trem do Morango, percorrendo os locais de produção deste produto, porém o mais famoso é o trem que percorre os vinhedos espanhóis.
O AVE compõe-se atualmente, em quatro corredores principais: com mais de 2.600 quilômetros em serviço, essa rede de alta velocidade é a mais extensa da Europa e, atrás da China, é a segunda em todo o mundo. Atualmente, a marca AVE é valorizada internacionalmente, como projeto-modelo da implantação da alta-velocidade ferroviária. Paises como os Estados Unidos, a China, a Noruega e o próprio Brasil visitam o sistema para obter informações, assessoramento e implantar esse modelo espanhol. Em nosso país ainda é uma incognita como ficará o sistema ferroviário entre o Estado de São Paulo e o Rio de Janeiro que, pelo meu ponto de vista, não vejo um progresso próximo. A Árabia Saudita está implementando os serviços AVE naquele país, por ser um sistema e uma gestão de confiabilidade.


SALA VIP RENFE para clientes que viajam no AVE. Foto de Kari Kohvakka



Essas cidades que são atendidas pelo AVE apresenta dezoito destinos que estão conectados, de uma forma ágil, cômoda, segura e sustentável, através de uma oferta flexível que permite o cliente personalizar cada viagem, cada destino:

Antequera, Barcelona, Calatayud, Ciudad Real, Córdoba, Cuenca, Guadalajara, Huesca, Lleida, Madrid, Puente Genil, Puertollano, Segovia, Sevilla, Tarragona, Valencia, Valladolid e Zaragoza, são os destinos que formam parte deste projeto de promoção turística conhecidas como as “Cidades AVE”.

Vagão-Bar dos trens AVE da RENFE.

Como vimos em nosso último artigo, as empresas aéreas estão lutando em busca de fornecedores e desenvolvendo um novo sistema de trabalho na citada indústria, criando maneiras de tornar seus produtos acessíveis para os clientes; na atual conjuntura de crise que vive o mundo, sendo que, desde então, o mercado ferroviário de alta velocidade na Espanha cresce cada vez mais, e é considerado entre os mais abrangentes na Europa e que se aproxima, segundo alguns estudos relizados, com sistema ferroviário semelhante presente no Japão.

Visão do "Trenhotel" da RENFE para suas viagens internacionais saindo de Madrid, Barcelona e Vigo.



Este serviço ferroviário da Espanha também foca na presença dos viajanets de negócios, os executivos, além dos turistas e incrementando ainda mais o seu programa de fidelidade em troca de serviços regulares de alta velocidade, cumprindo os horários programados e, principalmente no serviço de bordo gastronômico de extrema. E, desde o final de 2009, a RENFE que opera o AVE, selou o maior contrato ferroviário de restauração no período de quatro anos com a Cremonini Rail Iberica SA, a filial espanhola do Grupo Cremonini da Itália.

Cabine "Preferente' do Trenhotel RENFE.
Cabine "Gran Clase" do Trenhotel RENFE. Possuem cabines de uma ou duas camas com banheiro com chuveiro individual.

Esse acordo abrange o complexo de três “lotes”, conforme a Cremonini, atendendo as linhas do Nordeste e Transversais Norte-Leste do Mediterrâneo e as cidades do sul da Espanha.

Os 665 milhões de dólares aproximados, gastos no contrato, incluí a gestão dos serviços de catering nos vagões com bar e no atendimento para as classes “Club” e “Preferente” com os serviços de bandejas em assentos e na gestão dos vagões-restaurantes (transportes de logística e serviço de bordo completo) para os trens noturnos da RENFE “Trenhotel”, “Elipsos” e o “Lusitania” que atende a várias cidades europeias. Além disso, a Cremonini será a responsável pela produção do serviço de bordo da tripulação desses trens.

Abastecimento de bebidas variadas em um vagão-restaurante em um dos trens da RENFE. Foto de Kari Kohvakka.

Esse contrato posicionou os produtos da Cremonini e o seu fornecedor de alimentos, que é a Gate Gourmet na frente, em um potencial de atendimento de aproximadamente 24 milhões de passageiros por ano, atendendo e conquistando o foco que, conforme dito anteriormente, aqueles viajantes de executivos que, utilizam o serviço ferroviário para escapar da burocracia do transporte aéreo, atrasos, cancelamentos, onde esses serviços ferroviários respondem pelas crescentes eficiências na prestação dos serviços e redução dos tempos das viagens em toda a área ferroviária operativa. São produzidas e fornecidas até 15 mil refeições por dia, com uma diversificação de cardápios, chegando a mais de 400 menus para cobrir todas as classes de serviços e os trajetos realizados, resultando um contrato de sucesso entre a RENFE, a Cremonini e a Gate Group, representando conforme as espectativas do sistema ferroviário europeu em demanda, representando oportunidades significativas como increemntação do catering aéreo, provando esta matéria o último artigo realizado.

Vagão-bar dos trens da RENFE. Acima, comissária oferecendo jornais aos clientes. Foto de Kari Kohvakka

A Cremonini Group atende, além dos serviços ferroviários da Espanha, uma rede de clientes de aproximadamente 1200 trens de passageiros que ligam a Europa a partir do Eurostar em Londres, para a Alemanha, Itália e Suíça, bem como 80% da rede ferroviária francesa.

Durante o esses anos de atendimento, a Cremonini aperfeiçoou o serviço gastronômico, realizando uma seleção especializada de fornecedores para concentrar sua prestação de serviços com um toque distintamente espanhol. A empresa realiza práticas ambientais e sustentáveis, ​​que fizeram com que a RENFE acertasse o contrato com a empresa no processo do concurso, sendo esta também, atualmente, uma característica muito bem-vinda entre os grupos crescentes dos viajantes socialmente conscientes.

Trenhotel Elipsos da RENFE que realiza os serviços Espanha-França, Espanha-Suíça e Espanha- Itália.


Dos planos do Trenhotel parado em estações. A foto de acima é o Trenhotel Lusitania que realiza os serviços Espanha-Portugal. Foto de Sergio Rosso.

Interior do vagão-restaurante do Lusitania. Foto de Sergio Rosso.

Isto também significou uma melhoria significativa nas receitas na divisão do Gruppo Cremonini, onde sinalizou uma decisiva etapa de crescimento, com receitas superiores a 650 milhões de euros, somente no ano de 2010, através do contrato com a RENFE.

Foto externa do vagão-restaurante do trem Talgo da RENFE que agora circulará nos Estados Unidos com a Amtrak.

Ao longo dos anos, a Cremonini desenvolveu uma vasta rede de fornecedores de produtos frescos em toda a Espanha, dando à empresa a capacidade de facilmente obter os produtos locais que faz parte dos serviços e parte do sucesso do concurso. A empresa também fez contratos com fornecedores especializados para pequenos itens, produtos ou materiais que os grandes fornecedores não possuem.
Estilos de trolleys utilizados nos serviços ferrovíários. A foto acima é da empresa fornecedora, a Cinnamon.

Uma das principais virtudes que Cremonini e os seus fornecedores foram capazes de oferecer para a RENFE é a capacidade de práticas de sustentabilidade, destacando um extenso programa político chamado de “Green Touch", programa este que enfatiza a capacidade da empresa de oferecer produtos de origem local, fornecer harmonicamente refeições com um número mínimo de etapas de produção, além de oferecer produtos de papel ambientalmente recicláveis, ou produtos e materiais que respeitam o meio ambiente, minimizando o uso do plástico.


Oferecimento de serviço de bordo nos vagões da RENFE.

O viajante executivo notou as diferenças que a RENFE presta e prestou nos últimos anos, como por exemplo, no embarque desse passageiro, terá direito a um completo serviço de café da manhã, almoço ou jantar com uma séria de diferentes opções com um ciclo de cardápios que se modificam cada seis meses. Os passageiros da classe “Clube” do Ave, que equivale a uma primeira classe nos aviões, em um trem da rota Madrid-Barcelona, por exemplo, poderá escolher a partir de um serviço de cardápio quente ou frio. Dentro da oferta do almoço há uma seleção de peixes variados ou carnes. Eles também terão uma opção de serviço que será oferecido no café da manhã, enquanto que um passageiro da “Clase Preferente” terá um cardápio fixo.

Um dos vagões do Trenhotel RENFE.

Trem RENFE Altaria que faz serviços domésticos da empresa. Foto de Juanjo R por Flickr, através do link: http://www.flickr.com/photos/thereeler/5862700928/. 
Interior dos trens domésticos RENFE.

A oferta de alimentos e serviços a bordo constitui uma parte essencial da expectativa dos clientes já existentes do Ave e dos trens de Longa Distância (Larga Distancia, havendo uma comunicação sobre a oferta de alimentos em todo o decorrer de todas as rotas servidas).

Oferecimento do serviço de bordo em trens.

Carregamento de trens pela empresa Cremonini.

Enfim, a ferrovia na Espanha tem investido mais do que qualquer outro operador ferroviário na oferta de alimentos e serviço de bordo, considerado pela RENFE uma parte importante na oferta do produto, além da velocidade, confiabilidade e conveniências, que continuarão atraindo novos clientes. Bem que esse sistema de serviço poderia ser aplicado no Brasil, onde encontramos, infelizmente, um sistema ferroviário sucateado, com linhas, estações abandonadas, descaso político, superfaturamento de obras quando são realizadas em algumas estações metropolitanas das nossas cidades para atender passageiros que precisam e necessitam desses serviços (no nosso caso, dos trens urbanos).
Estações modernas fazem parte do trajeto de todos od trens da RENFE. Acima estação de Zaragoza- Delícias. Foto de carlos Ferrater por Flickr.

O novo e o moderno. Combinação perfeita nas estações ferroviárias espanholas. Acima estação de Bilbao - Abando. Foto: Vialia-Adif.

A criação de uma ferrovia de qualidade no Brasil, com o seu auge no governo de Getúlio Vargas e decaindo com a “decisão modernista” do então presidente Juscelino Kubtscheck, pensando no plano americano de investimento em estradas-automóveis e serviços aéreos, fez descaso às nossas ferrovias, sucateadas até hoje (como a educação e a saúde), onde facilitaria ainda mais o transporte de passageiros e de cargas do norte ao sul do Brasil, reduzindo custos, acidentes, e deterioração de um sistema de transportes tão deficiente que, não vejo mudanças em um futuro próximo nem longo. Esta reportagem serve como uma reflexão de como poderia ser melhor ao serviço aéreo e rodoviário se existissem as ferrovias para complemento alternativo. Falta estudo, falta inteligência de nossos governantes para fazer deste serviço um sucesso nacional.

Excelente foto de Thiago Teixeira mostra o oposto da nossa reportagem... A deselegância à toda altura. O descaso dos governantes brasileiros mostram estações como acima, a de Evangelista de Souza, que faz marte do ramal de Jurubatuba à Santos, por Embú Guaçú. O blog www.estacoesferroviarias.com mostra esse total descaso com nossas estações.


Descrevendo ainda coisas boas, em seus trajetos ferroviários regionais, a RENFE serve aos seus clientes, as especialidades gastronômicas de cada região espanhola como cerejas, “manzanillas” (bebida típica do sul da Espanha) juntamente com os “picos” (pequenos aperitivos) e a sopa de gazpacho (sopa fria de tomates e pepinos), além do “pão con aceite y tomate”, (aperitivo de pão torrado regado com azeite e untado com tomate) uma especialidade da Andaluzia e da região da Catalunha (correspondendo às cidades de Barcelona, Tarragona, Lleida e Girona); Na Catalunha também a RENFE oferece vinhos da região, juntamente com os “chorizos” (salsichas típicas) e “jamón ibérico y serrano” (carnes curadas). Nos serviços para a região da Comunidade Valenciana é servido a típica “paella valeciana” e outros pratos típicos da região. As especialidades regionais também estão disponíveis nos vagões-bar juntamente com as tradicionais refeições quentes; Os clientes continuam insistindo nos tradicionais e amados produtos típicos espanhóis em todo o país e em todas as classes que oferecem serviços de bordo como o presunto ibérico, o lombo de porco curado, a tortilla espanhola (de batatas), azeitonas recheadas com anchovas e os famosos vinhos de Rioja e da Ribera del Duero, que estão disponíveis em todas as classes e em cada tipo de trem; Os cardápios são totalmente espanhóis com uma abundância de peixes variados e carnes grelhadas, com seus molhos e acompanhamentos tradicionais, como o prato de “escalibada”, que é servida na Catalunha, correspondendo a um grelhado, salada de legumes, além das “tapas” e “pinchos” (variados aperitivos) para o serviço de lanche, sem deixar de falar de que a Espanha tem quase todos os tipos de frutas, legumes e vegetais na Europa, igualmente que na França.

Serviço de café da manhã, servido no Trem Elipsos da RENFE.

Em nossas próximas reportagens, contaremos como são conhecidos os "trens-hotéis" da Renfe por dentro e também publicaremos algo sobre o inesquecível "Trem de Prata".




Prestação de serviço de bordo nos trens da Renfe. foto: PAX International.

Essa matéria foi realizada em homenagem a Ralph Giesbrecht, referência em história ferroviária no Brasil, que tem um site maravilhoso sobre ferrovias que é o www.estacoesferroviarias.com.br e para o gestor da Gate Gourmet em Guarulhos, Ademar Miranda que era responsável pelo carregamento do Trem de Prata, onde na época, trabalhávamos na LSG/Sky Chefs Catering e atualmente, presta um excelente serviço frente às contas das empresas aéreas sob sua responsabilidade na Gate, em Guarulhos.  

Fonte: Revista "PAX International", volume 14, nº1, fevereiro/março de 2010. Texto de Rick Lundstrom, interpretado por Luis Nunez.


Conheça os fornecedores e a empresa espanhola RENFE, através dos sites:

Cremonini Rail Iberica: www.cremonini.es

Grupo Gate Gourmet: www.gategourmet.com

RENFE: www.renfe.es

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Artigo inédito: Como os caterings aéreos estão se adaptando aos tempos da crise global?



Através deste artigo inédito a respeito da crise nos caterings de aviação, mostraremos alguns pontos para que os administradores do setor de catering aéreo reflitam seus gastos e ganhos com base nas crises mundiais, como é o caso dos diversos países da União Europeia, para que, com isso, pratiquem a exploração de outras modalidades, sequencias de caterings que existem pelo mundo afora, como é o caso de catering de coletividades, como por exemplo, o de grandes, médios e de pequenos colégios, além de universidades com horários integrais, o catering hospitalar, diferentemente das empresas que já existem no mercado como a Medirest e a Sodex, em São Paulo e, principalmente o catering ferroviário, que a LSG/Sky Chefs Catering em São Paulo, na metade dos anos 90, explorava com o famoso “Trem de Prata”, que realizava o trajeto São Paulo (Barra Funda) até a cidade do Rio de Janeiro, onde já realizei serviços quando era supervisor na LSG em Guarulhos, na época. E com a possível volta dos serviços ferroviários de passageiros no Brasil, principalmente no Estado de São Paulo, com o trecho São Paulo-Guarulhos-Campinas, há a possibilidade das empresas instaladas no estado de São Paulo, como a própria LSG/Sky Chefs, Gate Gourmet, Grupo R.A., Comissaria Rio e Marcia´s Catering explorarem este próspero serviço.  Os caterings aéreos em nosso país necessitam pensar alto e prosperar com a exploração de outros segmentos, comentados já anteriormente que observaremos parágrafos abaixo, com um aprofundamento no que tange como a indústria do catering aéreo está se comportando com essa crise está atingindo a União Europeia, entre elas, a Espanha, Portugal, Itália, Grécia e muito provavelmente em outras muitas nações.


Estudos em caterings para "driblar" a crise global para oferecer melhores serviços aos seus clientes, gastando pouco.

O desenvolvimento das novas linhas de negócio como é o catering ferroviário e a venda de refeições a bordo dos aviões são algumas das alternativas que as empresas de catering aéreo estão se adaptando para superar o “baque” que a crise econômica lhes supõe neste setor. As empresas na Europa, como a Newrest e a Gate Gourmet, por exemplo, apostam pela imaginação, a oferta de um serviço global e a capacidade de adaptação às necessidades do mercado e dos clientes para encarar este período de recessão e sair com algum ar de prosperidade nesses tempos em que o setor está vivendo atualmente.

Como por exemplo, temos a Espanha, com um sistema econômico que está sofrendo muito com a crise, onde alguns estudos observam que os caterings de coletividades estão se destacando mais positivamente, frente à manutenção do catering aéreo.
Alternativas: atendimento de catering à grandes instituições escolares.
Alternativas: atendimento de catering à grandes instituições escolares.



 Alternativas: Atendimento ao catering ferroviário. Acima, trem de viagens temáticas.
  
No setor do catering aéreo na Espanha operam as empresas Gate Gourmet, a LSG/Sky Chefs e a Newrest. Elas são as que se dividem no mercado espanhol e europeu neste âmbito, sendo que a primeira acumula a maioria do mercado do setor em Madrid e em Barcelona. A LSG/Sky Chefs e a Newrest situam-se nas segundas posições dividindo o mercado nas cidades de Madrid e de Barcelona, e com os pequenos caterings, ou as empresas prestadoras de serviço que prestam os serviços de catering para várias empresas de jatos executivos e empresas menores, servindo como exemplo.

Conferência de gramatura das refeições produzidas, conforme a empresa aérea estipulou juntamente com a empresa de catering na apresentação de seus serviços.

Membro de Gate Group, a Gate Gourmet espanhola tem entre seus principais clientes as empresas como a Iberia, United Airlines, British Airways, Swiss, entre outras. Depois de quase vinte anos de atividade e um contrato de gestão de longa duração, em maio de 2004 Gate Gourmet adquiriu o 100% de IberSwiss, a filial de catering da Iberia. A IberSwiss oferecia naquele tempo seus serviços a bordo para o grupo, fundamentalmente na Espanha e para alguns outros destinos europeus, mas não na América Latina nem em outros dos aproximadamente cem destinos nos que opera habitualmente a empresa espanhola Iberia. Atualmente, a Gate Gourmet encontra-se em uma situação de estabilidade financeira e operativa depois da reestruturação que foi realizado durante os anos de 2004 e 2005, onde a empresa investiu o volume dos seus negócios mediante a aquisição de novas contas, e mediante o desenvolvimento de novas linhas de negócio como o catering ferroviário e a venda de refeições a bordo. As perspectivas de negócios da Gate Gourmet continuam centrando-se no setor do catering aéreo, se bem que é certo que, o fortalecimento de sua empresa principal, a Gate Group, com a aquisição de empresas internacionais líderes no serviço das empresas aéreas, abre novas perspectivas de negócio que a empresa tentará aproveitar nos próximos anos.

Gate Gourmet realizando serviço de carregamento de serviços de bordo.

LSG/Sky Chefs Catering atendendo a um de seus clientes.

A estratégia da Gate Gourmet Spain é a de oferecer às empresas aéreas todos os serviços que “não são fixos” ao avião: equipamento de nova geração, desenvolvimento de novos conceitos, gestão logística, design de interiores, “amenities”, limpeza de aviões, lojas on-line de produtos, etc. Além disso, a Gate Gourmet é líder no desenvolvimento da uma nova linha de negócios de catering de venda de refeições a bordo, iniciado na empresa Ibéria, aproximadamente em 2005, com o cardápio “Tu menu”. Internacionalmente, e através de sua companhia do Grupo Gate Total Solutions, administram globalmente o serviço a bordo da Vueling, onde este negócio é ponto chave atualmente, já que muitas companhias aéreas decidirão prescindir do conceito tradicional do catering para assumir posições mais arriscadas que, além disso, geram economias que garantem sua sobrevivência, como é o caso da WebJet no Brasil. Adicionalmente, a Gate Gourmet aposta pelo desenvolvimento do catering ferroviário, com um potencial de crescimento cada vez maior na Europa, lembrando que a Rail Gourmet, do grupo Gate é fornecedor de catering para os trens de alta velocidade (AVE) para as rotas Madrid-Sevilla-Málaga, Madrid-Barcelona-Valência, entre outros trajetos.

Catering alternativo: abastecimento no sistema ferroviário, já presente em países da Europa, da Ásia e nos Estados unidos, com a Amtrak.

A Eurest Inflight Services nasceu na Espanha, em Palma de Mallorca, na metade dos anos sessenta para atender o catering aéreo da indústria das viagens de lazer que naqueles tempos, encontrava-se em pleno auge. Hoje é administrada pela Compass Group, que realiza serviços de catering para grandes eventos, representa a Medirest para serviço de restauração em hospitais e clínicas. A Eurest, na parte de catering aéreo foi adquirida pelo grupo francês Newrest Group, especializada na indústria de fornecimento de alimentos em vários mercados, incluindo o das linhas aéreas, a venda por varejo, o catering industrial, o Duty Free, entre outros, considerado líder na zona mediterrânea.  Os negócios da empresa francesa também se encontram atualmente estabilizados, em torno à conjuntura econômica geral, principalmente na área dos transportes.



A crise já afeta o setor do catering aéreo...

Evidentemente, todos os indicadores macroeconômicos e próprios do setor já evidenciam uma profunda crise no setor da aviação que possivelmente já atinge diretamente às empresas fornecedoras de serviços de refeições às companhias aéreas, devido à redução na ocupação de assentos, ao mesmo tempo em que já sente as consequências que este feito terá no setor, devido às empresas aéreas estão financeiramente cada vez mais instáveis e sobre dimensionadas, devendo buscar uma saída estratégica à crise ou se verão levadas à falência. Como exemplo das empresas aéreas que encerraram as atividades este ano foram a Spanair, da Espanha, a Malev da Hungria, e a Aerosur da Bolívia, levando à concentração dentro do setor e ao ajuste da oferta e da demanda com uma maior rentabilidade das rotas, onde as empresas aéreas buscarão reduzir custos para compensar a redução de ingressos e o serviço de catering a bordo será dos primeiros afetados.
A Aerosur, da Bolívia, foi uma das últimas empresas que encerraram as atividades. Na foto vemos o "Super Torísimo", um Boeing 747-400 arrendado da KLM que atendia as rotas Santa Cruz de La Sierra (VVI) à Madrid, Espanha. Foto: Site: airliners.net

Algumas estratégias que os caterings aéreos já estão adotando para reduzir os custos do setor apontam para a redução de custos, de pessoal e das matérias primas, que atendem às empresas de catering, já trabalhando com reduzidas margens; Outra tendência que observamos é a possibilidade da eliminação de serviço a bordo, implantando um serviço de venda de catering a bordo na classe econômica, nos voos de pequenas distâncias, como a Webjet, em nosso país ou a Iberia, na Espanha, como exemplos, ainda que algumas empresas, ainda estão realizando testes para a implantação também nos voos intercontinentais, como é o caso da United Airlines, que utiliza nos serviços domésticos o seu “Choice Menu”. Raras são as empresas que estão continuando a servir com sua totalidade de classes de serviço com quantidade, para isso relatamos as empresas do oriente-próximo e da Ásia, com excelentes serviços em todas as classes, citando a Emirates, a Qatar, a ANA, a Ethiad, a Turkish, a Royal Jordanian entre poucas outras.

Antigo serviço de bordo da Iberia que atendia seus clientes da antiga Clase Preferente. Hoje com a Business Plus, a Iberia atualiza seu cardápio e oferece materiais de bordo "corretos". Foto: arquivo IBERIA.

Observamos, orientando-nos por bibliografias de referência no setor que, as empresas de catering aéreo, juntamente com as empresas aéreas estão trabalhando em conjunto para tentar oferecer alternativas adequadas e criativas para conseguir os objetivos de economia que é planejado. Lembrando que, voltamos a citar alternativas de atendimento destas empresas de catering diversificando e voltado aos serviços de transporte ferroviário ou hospitalidade e serviços, como de grandes colégios, grandes hospitais e grandes empresas, alternativas estas para enfrentar a instabilidade dos mercados, o estancamento no crescimento geral, a paralização dos investimentos, a forte concorrência entre as empresas aéreas com o aparecimento e a forte presença das empresas de baixo custo, entre outras.
A Vueling, uma nova empresa de baixo custo na Espanha oferece catering de venda à bordo. Foto: VUELING.
Cardápio de venda a bordo oferecido pela Webjet e produzido pela LSG/Sky Chefs Catering, em São Paulo. Foto: Alexandre Barros do blog aviação Brasil.


As ameaças e as oportunidades do setor...
Viatura da Newrest à espera do atendimento ao avião da Qatar. A Newrest tem planos de entrar em território brasileiro envolvendo a participação e envestimento de Eike Batista. Foto:Newrest.

Como em todo período instável, as empresas enfrentam a uma série de ameaças. Do mesmo modo, existem também diversas oportunidades que essa crise mundial está gerando nos países considerados desenvolvidos, tendo que as empresas ajustarem-se a esse estado econômico, tratando estas empresas de serem capazes a esse ajuste, sendo cada vez mais dinâmicas nos ajustes a essas necessidades do necessidades do mercado e dos clientes, sem deixar de citar que o setor das refeições em grande escala, que é o caso de nosso artigo, o de catering aéreo é muito mais sensível às crises mundiais devido ao aumento dos preços do combustível, a instabilidade financeira (já citada anteriormente), os problemas com a suspensão de pagamentos de algumas empresas aéreas, a eliminação total do serviço com a consequente redução de entradas e a diminuição da prestação de serviço ao passageiro etc. os fatores chaves para que esse ramo tenha sucesso futuro focará principalmente no atendimento e atenção ao cliente (como sempre) e a diversificação, competência de atendimento logístico e criatividade para driblar esses obstáculos.


Outra alternativa: Abastecimento de salas-vip das empresas aéreas. Acima, uma parte da sala vip da Lan Chile em Santiago (SCL). Fonte: Site jaunted.com.

As empresas devem trabalhar em seu planejamento de crises tendo em bases a criação de mais de oportunidades que de ameaças, fazendo à concentração do setor, as sinergias, a busca de fornecedores globais, o desenvolvimento de novos conceitos (que constantemente divulgamos no blog) e a capacidade de assumir riscos nas decisões, com isso convencendo seus clientes, ou seja, as empresas aéreas de que as empresas de catering são capazes de gerenciar os seus gastos de catering da forma mais eficiente possível, e que essas empresas de catering são as parceiras ideais das empresas aéreas para o desenvolvimento de novos conceitos e serviços de bordo que lhes permita fazer a diferença e reduzir seus custos, com imaginação, pro atividade, além de um serviço global e integral.

Previsões da evolução de mercado nos países que consideram-se em crise...
Newrest catering prestando atendimento a um de seus clientes: a Thai. Foto:Newrest

Devido à crise no setor, os estudos vão se confirmando e provam novas quedas, exigindo que as empresas de catering façam um replanejamento do catering tradicional e buscar novos modelos de serviço de catering a bordo, devido às altas pressões em custos (já citado anteriormente) e a concorrência cada vez maior, o que obriga às empresas a analisar todos os serviços ao redor do avião. Neste sentido e atualmente, as principais empresas aéreas reduziram os serviços de bordo nas suas rotas de curtas distâncias e um dos efeitos mais visíveis tem sido que os cardápios que, antes se ofereciam gratuitamente agora estão reservados principalmente para os passageiros da primeira classe e da classe executiva. Esta política de economia afeta, logicamente as prestadoras do serviço de bordo, afetando não tão somente a “eliminação” do serviço tradicional na classe econômica, se não também o desenvolvimento do novo negócio de venda de produtos de catering a bordo: com esta análise percebe-se que as entradas pelas refeições na classe econômica podem significar por volta da metade do total de volume e sua eliminação terá um impacto importante nas contas e nos resultados das empresas de catering, mas, sobretudo na estrutura desse negócio, fazendo com que as empresas façam uma regulação do emprego e uma reestruturação das empresas, forçando para que as empresas convertam as ameaças em oportunidades, tratando de adotar uma nova perspectiva a seu negócio. O blog gosto nas alturas é um referencial para ideias que as empresas de catering e as aéreas, unidas podem estudar e aplicar a essas novas exigências do mercado, representando um benefício, nunca deixando de lado, relatar grandes histórias dos serviços de bordos em outros tempos que, com certeza, não voltarão mais.
Alguma das ofertas da VARIG em seus serviços na Primeira Classe de seus voos Intercontinentais: lagosta e champagne. Foto:arquivo da PUC/RS.
Um antigo cardápio da primeira Classe da VARIG mostrava a elegãncia clássica dos serviços de bordo de outros tempos... Foto:arquivo da PUC/RS.


Finalizando este artigo, ainda que em um princípio esse assunto não tenha muito a ver com os caterings ou mesmo com essa matéria, recentemente, a União Europeia propôs à que as empresas aéreas adequassem seus sistemas de voo para alcançar as emissões permitidas de gases de efeito estufa. Entre estas medidas encontra-se a de limitar o tamanho dos serviços de catering, melhor dizendo, de peso, ou seja, quanto mais peso houver nas aeronaves, lógico que maior será o consumo de combustível, levando as fornecedoras de serviço a bordo a estudar e trabalhar para encontrar novas alternativas como o desenvolvimento de equipamentos leves como os “trolleys” de serviço, ou mesmo o desenho de novos conceitos, investigando os materiais que se colocam á bordo e da possibilidade que esses materiais sejam por um lado recicláveis, como já trabalham algumas empresas como a TAM, acrescentando mais valor aos seus clientes e que, ao mesmo tempo reduzam o peso e, portanto, os custos por consumo extra de combustível.

A TAM aborda em algum de seus voos, materiais reciclados com o bagaço da cana-de-açúcar, reduzindo custos e peso. Foto: LSG-Sky Chefs/TAM.



Resumindo: as grandes, médias e pequenas empresas de catering que operam mundialmente, enfrentam atualmente um período de crise, bem que se pode apresentar, pode surgir como uma oportunidade, dentro de um contexto global, terá que esperar observar a evolução dos mercados e de suas complicações que estão de mãos dadas em todos os setores. A diversificação e os novos planejamentos dentro dos objetivos da empresa serão pontos chaves para superar esta conjuntura adversa que, segundo se observa sob um nível mundial, está apenas começando.


Foto da Gate Gourmet Group, mostrando o serviço "Executive Catering", outra alternativa de catering para atendimento aos jatos executivos.


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